Todos os anos, pelo menos cem jovens cipoenses concluem o Ensino Médio e lhes faltam oportunidades de trabalho. Desse modo parte deles, principalmente os do sexo masculino enveredam para a venda de artesanato, única alternativa para garantir a renda com a qual subsistirão nos meses em que o turismo no litoral brasileiro é pujante.

O que a nossa cidade tem oferecido aos nossos jovens no que se refere ao trabalho? Temos hoje algumas dezenas deles produzindo redes, estantes e outros tipos de artesanato, enquanto outras dezenas se aventuram Brasil afora para comercializá-los. É esse dinheiro, gerado pelo artesanato que tem movimentado a economia cipoense há pelo menos trinta anos.

Em contrapartida, o que a cidade tem oferecido a essas pessoas? A maior parte dos nossos jovens não tem acesso a uma educação formal que lhes permita competir no mercado de trabalho que cada vez mais exige formação superior ou especialização técnica em certas áreas do conhecimento. O que se conhece hoje como Formação Geral, em nível de ensino médio não tem oferecido formação alguma para os jovens atuarem no mercado de trabalho de forma mais competente e competitiva.

Isso deve-se a políticas de governo que visavam diluir o conhecimento e hoje há uma carência de profissionais técnicos em diversos setores da economia. O governo Lula retomou a formação técnica ampliando as vagas nos Institutos Federais de Educação, e, aqui na Bahia, vários foram implantados, mas apenas em cidades maiores como Barreiras, Paulo Afonso, Santo Amaro e outras. Os pequenos municípios, como sempre, ficam entregues à própria sorte.

Nosso potencial turístico está às moscas, em pleno verão. O Grande Hotel tem sido o grande elefante branco, vestido de festa não sei para enganar a quem. Um prédio obsoleto, que pertence ao Estado e que com acordos adequados poderia se transformar num campus da UNEB que atenderia aos jovens não somente de nossa região, proporcionando-lhes oportunidades, tão negadas ao longo da história, de ter uma formação superior.

Aos puritanos, que acreditam que a prostituição e o uso de drogas aumentaria, as estatísticas de cidades como Paulo Afonso, Campinas, São Carlos e outras demonstram que os estudantes ali residentes estão ali para a aprendizagem e tem influenciado pouco no aumento desses índices.

O que falta é vontade política para uma atuação mais consciente e produtiva na vida das pessoas e na economia da cidade. Imaginem quantos empregos e a geração de renda que seria alavancada se nos tornássemos uma cidade universitária! Mas, afinal, o que os maus políticos querem sempre é que as pessoas sejam mal-formadas e desinformadas para perpetuarem seus esquemas mesquinhos de votos de cabresto.

Ainda tenho o desejo utópico de que um dia tenhamos outras oportunidades de trabalho para que os jovens cipoenses tenham alternativas de trabalho diferentes das de seus pais, mas que este seja digno, formal e com a justa remuneração, para que possam optar por deixar ou não a cidade em busca de uma aventura econômica que nem sempre é rentável.

Matéria: Niclécia Gama / Foto: Google / Postagem: Salvo Horley