Na década de 20 do século passado, na Alemanha de Hitler, o grande aparato de divulgação dos anseios do Partido Nazista ganhou mais um elemento essencial à sua permanência no poder: o ministro do povo e da propaganda, Joseph Goebbels. Foi graças a ele que boa parte do povo alemão se engajou na luta de ódio contra tudo que, na visão do Partido, se opunha aos objetivos escusos de Adolph Hitler, tais como os judeus, os ciganos, e os povos que viam no nazismo uma grande ameaça à humanidade; o que anos depois se comprovou com a eclosão da II Guerra Mundial. É de Goebbels a célebre frase: “Uma mentira repetida várias vezes se torna uma verdade”. A ingenuidade do povo alemão naquela ocasião fez com que todas as manifestações da cúpula política, então dominante, soassem como verdade, ainda que a maioria do que era dito não passasse de estratégia de marketing da mais rasteira, tendo como consequência o extermínio de seis milhões de judeus em campos de concentração.
Começo esse artigo com essa pequena introdução apenas para demonstrar que apesar de ter se passado mais de meio século, os métodos de persuasão política não são muito diferentes dos de outrora. Tivemos mudanças ideológicas, tecnológicas, culturais e econômicas, porém muitos ainda teimam em confundir aspectos pessoais com os aspectos ideológicos e políticos. Desde que fui convidada a escrever artigos neste espaço tão gentilmente cedido pela Rádio Millenium, fiz questão de deixar algumas coisas bem claras:
1. Que os meus textos fossem lidos ou divulgados na íntegra;
2. Não ser censurada pela direção da Rádio, caso não concordasse com meu ponto de vista, já que escrevo artigos de opinião e sou responsável pelo que penso;
3. Que nenhum comentário, ainda que discordante do meu, fosse censurado (exceto os que ofendam a dignidade ou honra das pessoas, inclusive a minha).
Sempre tive essas prerrogativas atendidas por Arildo e sua equipe e sempre segui com meus artigos e comentários, não me escondendo atrás do anonimato, que entendo, já que ainda se tem a velha cultura da perseguição. Sendo assim, ressalto que os textos de cunho político aqui feitos, foram escritos por, antes de tudo, uma cidadã insatisfeita, que paga seus impostos e questiona o andamento dado a certos aspectos da nossa cidadania, seja no nível do nosso Município, do nosso Estado ou do nosso País. Não tenho pretensões políticas e isso me deixa ainda mais livre e tranquila para comentar o que quer que seja sem ser policiada ou sofrer represálias. Ainda na seara política, relembro aos porventura esquecidos, que os detentores de cargos públicos devem satisfação à população; esses cargos não são privados nem hereditários, portanto, temos o direito de exigir providências naquilo em que nos sentimos insatisfeitos. Não é crime citar nomes dos detentores desses cargos embora raramente o faça, portanto questões pessoais devem ser resolvidas na área pessoal. Jamais usei esse espaço para me referir a pessoas que não fazem parte da vida política da nossa comunidade – leia-se, aos não detentores de cargos públicos. Destarte, não uso e nunca usei os artigos publicados nessa coluna para me dirigir ou atingir pessoas que não devam satisfação aos seus eleitores.
Não admitirei, de quem quer que seja, ameaças à minha integridade física por motivos infundados, a partir de supostas conclusões de artigos e comentários meus neste espaço. Vivemos numa democracia e todos têm, assim como eu, o direito de discordar do que é dito ou escrito, sem, contudo, se achar atingido no plano pessoal por qualquer dos comentários aqui feitos. Receberei as reações exacerbadas como ameaça, e darei o tratamento adequado a essas reações dentro dos limites da lei, na Justiça e na polícia se forem colocadas em risco a minha integridade física e moral.
Na última semana fui surpreendida com um boato de que um motorista da Secretaria de Saúde de Cipó foi demitido por causa de um texto meu, lido no programa Cipó Notícias da Radio Millenium Fm, do dia 02 de junho. Felizmente, mantive contato telefônico com o motorista que me tranquilizou dizendo que ele mesmo havia informado aos seus superiores que não continuaria servindo à Prefeitura, em função das más condições de trabalho e o fato ocorreu antes mesmo da leitura do texto na rádio. Portanto, retomando o início desse texto, quero, aqui, impedir que uma mentira seja repetida até se tornar verdade. O e-mail lido na rádio falava apenas da falta de administração e consideração com os cidadãos cipoenses que ficaram em Salvador para tratarem de sua saúde e foram informados porque entraram em contato com a Secretaria, de que o ônibus não iria pegá-los. Esse e-mail foi mais um dos textos em que externei minha insatisfação no trato com a coisa pública, e o pivô de ter sofrido represálias.
Repito, não admitirei ameaças, principalmente de pessoas que não fazem parte da vida política do Município e que interpretam equivocadamente as palavras que divulgo neste blog. Continuarei utilizando do meu direito constitucional de me expressar, e os leitores continuarão com o direito universal de discordar de minhas palavras. Espero que essa discordância se mantenha no nível das idéias, como sempre se deu, pois se for de outra forma, as instituições democráticas, que alguns ainda estão pouco acostumados, serão acionadas, fazendo valer o exercício pleno da minha cidadania.

Matéria: Niclécia Gama / Postagem: Fabrício Martins